segunda-feira, 29 de março de 2010

Meninas e Meninos,

Quanto tempo, hein? Estou trabalhando como uma louca, mas vale muito à pena.
Continuo me vigiando junto aos vigilantes, contando os pontos e contando as gramas, perdidas e recuperadas, neste breve intervalo desde que iniciei a reeducação alimentar.
Não é fácil! Confesso ter algumas crises de abstinência. Sinto uma falta homérica de uma torta de limão, uma barrinha de chocolate, uma boa macarronada e, noite afora, lasquinhas de parmesão acompanhada de uma dose de wisky (eventualmete).

Cá entre nós, outro dia, não sei bem quando, mas recentemente, tracei uma luta com uma barra de chocolate ovomaltine. Brigamos tanto que a solução foi abatê-lo em casa. Não resisti, pessoas!!!! E quer saber? Nem me culpei por não resistir. No dia seguinte, acordei bem cedinho e fui para a academia.

Apesar das minhas caídas, não desisti de largar os 10 kg que não me pertencem.

Por enquanto foram 2,5kg. Mas esses se foram e não voltaram.

terça-feira, 2 de março de 2010

Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher. Lya Luft